Dicas para pintados
Editor especial revela os seus truques; aproveite nos meses mais frios
O assunto é: dicas para pintados. Há muitos anos pesco frequentemente em águas do Rio Paraná na Argentina e considero um dos melhores locais para a pesca de surubins-pintados.
Tudo começou com um aprendizado durante visita à Pousada Gêmeos Pesca Esportiva em 2002, localizado nesta região. Na época, minha experiência com a espécie se resumia às capturas no Pantanal (MS), no próprio Rio Paraná, próximo à cidade de Panorama, interior de São Paulo; e a uma visita ao Rio São Francisco, onde o maior exemplar capturado foi de 22 kg. Naquela épica, esses exemplares pareciam serem grandes, isso até conhecer o trecho do Rio Paraná, entre Ita-Ibaté e Paso de la Patria, com destaque para os pontos de Ita-Ibaté e Yahapé, na província de Corrientes.
Foi neste local que vi muitas outras pessoas capturarem os verdadeiros grandes troféus, peixes que ultrapassam 50 kg e 1,60 m de comprimento. Ao meu ver, esse exemplares estão mais frequentes na região desde a consciência da prática do pesque e solte, que já era praticado espontâneamente por operadores e guias locais. Agora, a prática é garantida por lei, proibindo o abate de peixes menores do que 85 cm e maiores do que 1,20 cm e, assim, dando permissão somente para o abate de um único exemplar.
O primeiro
Data de 2004 meu primeiro grande exemplar, digno de uma longa briga, e que me surpreendeu pelo tamanho, chegando até a quebrar a balança de peso que marcava até 65 kg. Estimou-se, então, que o exemplar poderia ter 70 kg em seu 1,86 m.
Na época, usava a carretilha Shimano Antares equipada com linha de náílon 0,20mm e ele foi embarcado com o uso de isca artificial no corrico (trolling). Não há necessidade de equipamento pesado, mas é preciso ter muita linha na carretilha para ser usada. Duzentos metros é o suficiente, e com o multifilamento entre 0,18 e 0,23mm muitas carretilhas que antes eram descartadas agora podem ser usadas. Alerto apenas para o tamando do caniço, que deve ter mais de 6”, facilitando bastante na hora do embate com o peixe.
Sou adepto de conjuntos leves. O meu é formado por uma 6’ indicada para linhas de 12~20 lb, e montada em uma haste da Gloomis da série Muskie. Uma vara mais comprida facilita o trabalho com o peixe, tal como a carretilha Daiwa Millionare CV-Z 253A, que, apesar de antiga, não troco e nem vendo. Ela está modificada com rolamentos de cerâmica Boca e fricção Carbontex abastecida com linha de multifilamento 0,23mm YGK – ADO X PE 2, de aproximadamente 200 m.
O mito
Para se pegar um troféu existem duas formas: corrica-se (trolling) com iscas artificiais ou roda-se pelos pontos promissores com isca natural. Prefiro o segundo, apesar de eu ter mais capturas com iscas artificias.
Normalmente, quando queremos fisgar o dourado no corrico, a pescaria é feita subindo o rio e normalmente na perpendicular, criando um traçado em “Z”, pois a característica da espécie é estar mais ao meio da coluna d’água protegido em obstáculos de onde partem para um rápido ataque à presa. Agora, para o surubim se corrica a favor da correnteza ou seja conta-se com a força dessa para que sua isca atinja maior profundidade.
O mito de que o surubim bate na presa com o rabo e volta para pegá-la de vez não é real. No começo até pensei nessa possibilidade e reparei durante as capturas que de fato existiam algumas na cauda.
Entretanto, eu estava equivocado, pois na realidade a isca enrosca no exemplar durante todo o dia enquanto corricamos. Contudo, a briga é boa e muitas vezes se torna até mais vantajosa para o peixe. Em todas minhas capturas, ao final do dia, a isca estava presa na boca do animal. Na minha interpretação, durante este horário, os pintados saem para comer e por isso são fisgados pela boca.
Na rodada, também conhecida com caceio, a situação é diferente, já que a isca natural acaba atraindo a atenção do predador que a abocanha.
É necessário estar atento na hora, para não fisgar desenfreadamente, pois é preciso sentir o peso do animal carregando a isca. Nesta hora devemos proceder com firmeza na fisgada. Se ele começar a correr, a briga vai ser boa, e nessa oportunidade aproveite para confirmar a captura. Eu o faço com três puxadas rápidas, seguidas e curtas.
As capturas nessa finalidade, no período final do dia, só reforçam minha observação sobre as fisgadas pela boca quando se corrica.
Sou fã de anzol do tipo Maruseigo, e o utilizo no tamanho 30 e às vezes 40. Quanto ao líder, quando corrico, uso geralmente o de náilon com mais de um metro de 0,50 a 0,70mm. É um shock líder usado para absorver impactos, por isso minha preferência por náilon, que é mais flexível, pois algumas vezes a água está muito baixa, aumentando o atrito entre as pedras, ou até porque os dourados estão presentes nos mesmos locais.
Siga a recomendação de seu guia; ele vive lá e vai saber se é necessário usar náilon e em qual diâmetro ou metálico.
Entre junho e agosto
A época mais propícia para a procura dos grandes troféus é de junho até agosto, mas é possível pegar o ano todo. Já me ocorreu pegá-los em diferentes épocas. Mas é no inverno que o bicho pega com mais frequência. Em 2013 a temporada se estendeu até outubro. Em julho deste ano fiquei hospedado com clientes nos Gêmeos Pesca Esportiva, e as capturas foram impressionantes, como pode ser visto nestas fotos.
O frio não chega a ser problema neste período do ano, pois o clima é bastante parecido com o do sul e do sudeste do Brasil. Mas é necessário estar vestido adequadamente, mesmo não sendo um tipo de pesca em que o pescador se molhe.
Mesmo que você não goste desse tipo de pescaria, vale a pena a experiência de pegar um grande troféu.
Créditos à: Revista Pesca & Companhia
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